ENTREVISTA com GALILEO GALILEI

 

Texto escrito para o

PROGRAMA UNIVERSO FANTÁSTICO

Rádio Inconfidência – 16/04/2010

 

Prof. Renato Las Casas (16/abril/2010; revisão 29/junho/2010)

 

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Entrevistador- Olá Galileo! Que grande prazer tê-lo aqui conosco.

Galileo Galilei- Olá mundo estranho. . . Estamos no planeta Terra?

E- Sim, estamos na Terra. Devido a uma super produção da Rádio Inconfidência . . . (não precisa fazer essa cara que daqui a pouco te explico o que é esse negócio de Rádio). Devido a uma super produção da Rádio Inconfidência, você está em abril de 2010; em uma cidade chamada Belo Horizonte, na América do Sul, Brasil.

G- Tudo aqui é tão estranho. Como vocês me trouxeram praqui?

E- Isso é coisa do Miguel Resende, diretor da Rádio. Ele está te representando com tanta convicção que você chegou até nós.

G- Que negócio é esse na frente do meu rosto? (fazendo barulho no microfone)

E- Isso se chama microfone. Mexe não! Esse aparelho capta a sua voz. Milhares de pessoas por todo o mundo estão escutando o que estamos falando.

G- Você está brincando . . .

E- Meu caro Galileo, nós te trouxemos aqui, para saber de você próprio, como foram as descobertas astronômicas que você fez a pouco mais de 400 anos e que mostravam que a Terra não é o centro do Universo.

Podemos te chamar de Galileo?

G- Obviamente vocês deveriam me chamar de Sr. Galilei . . . mas já vi que vocês são muito informais (pelo menos pra minha época) . . . gostei de vocês! Podem me chamar de Galileo!

Essas descobertas revolucionárias que mostravam pra qualquer um que tivesse um pouquinho de inteligência que a Terra é apenas mais um planeta orbitando o Sol, eu as fiz com o terceiro telescópio que construí.

E-Não foi você quem inventou o telescópio, não é mesmo?!

G- Não Não . . . (falando alto)

Tem gente que diz que o telescópio surgiu no século XIII, mas parece que ele foi inventado na Holanda, na minha época. Quando eu tomei conhecimento desse invento, ele já era razoavelmente conhecido em várias cidades da Europa. O que eu fiz foi construir telescópios muito melhores do que os que já haviam.

O primeiro telescópio que construí, não. Ele era até mesmo pior que os telescópios já existentes. Ele aumentava em apenas três vezes as imagens dos objetos. Eu o construi pra confirmar se estava entendendo bem o princípio de funcionamento daquele instrumento. Eu construi esse telescópio durante julho e agosto de 1609.

Assim que acabei a sua construção, dei início à construção de um outro bem melhorado. Meu segundo telescópio já fez o maior sucesso!

No dia 21 de agosto daquele ano, reuni várias autoridades na Torre de São Marco em Veneza e lhes apresentei esse telescópio. Elas ficaram muito impressionadas.

E-  Dizem que você apresentou o telescópio às autoridades de Veneza como uma arma de defesa, capaz de observar se um navio que se aproximava era amigo ou inimigo; quantos canhões tinha; etc.; muito antes do que se poderia fazer à vista desarmada.

Porque você não falou do grande potencial científico daquele instrumento? Você não sabia . . .

G- É claro que sabia! (interrompendo e gritando)

Mas eu queria que eles me financiassem! . . .

Se ressaltasse que aquele instrumento um pouco melhorado poderia nos mostrar detalhes dos astros, eles poderiam não gostar . . .

Aquele pessoal era muito conservador . . .

Eles eram conservadores mas não eram burros! Ver detalhes dos astros poderia nos levar (como de fato levou) a reconhecer como certa a teoria de Nicolau Copérnico que dizia não ser a Terra o centro do Universo. A ultima coisa que eles queriam era confusão com a igreja.

E- Fale-nos do telescópio das grandes descobertas.

G- Foi o terceiro telescópio que construí.

Deu trabalho construir as suas lentes, mas valeu a pena. Ele apresentava aumento de quase 21 vezes. Ficou pronto em novembro.

E- Qual foi o primeiro objeto celeste que você observou com esse telescópio?

G- A Lua!

Eu já a havia observado com o telescópio anterior. Já estava mesmo suspeitando que a sua superfície não era lisa, como muitos diziam ser. Desde Aristóteles, tinham pessoas que acreditavam que as coisas do céu fossem perfeitas. A Lua sendo um objeto celeste tinha que ser perfeita segundo esse pessoal, que não apenas por coincidência, em sua maioria, era o pessoal que também dizia ser a Terra o centro do Universo.

Eu observei a Lua, com meu telescópio de quase 21 vezes de aumento em novembro e dezembro de 1609.

Essas observações deixaram claro: a superfície lunar é cheia de montanhas e crateras. Eu até andei calculando a altura de algumas montanhas da Lua. Bolei um método pra isso que publiquei no Sidereus Nuncius (o livro em que publiquei essas minhas descobertas)

E- E depois de descobrir as crateras e montanhas da Lua? . . .

G- Depois disso, descobri as luas de Júpiter.

Na noite de 7 de janeiro de 1610, apontei meu telescópio pra Júpiter e notei três “estrelinhas” enfileiradas com Júpiter. Na noite seguinte, aqueles objetos continuavam perto de Júpiter, mas haviam trocado de lugar. Noite após noite, continuei observando Júpiter e aqueles objetos que sempre alternavam suas posições um em relação aos outros e em relação a Júpiter. Na noite do dia 13 notei um quarto objeto que participava daquela dança.

De inicio não foi fácil sacar o que era aquilo. Só na noite do dia 15 entendi o que estava vendo. Aqueles objetos eram luas de Júpiter, vistas de um ponto do espaço contido no plano das órbitas daqueles objetos, de tal forma que os via sempre enfileirados e com Júpiter fazendo parte dessa fileira.

E- De todas as suas descobertas astronômicas essa foi a mais revolucionária!

G- Sim!

Um argumento dos geocentristas que ninguém sabia rebater, dizia que a Terra só poderia estar parada no espaço, pois se ela se movimentasse deixaria a Lua pra trás.

Mas todo mundo concordava que Júpiter se movia no espaço. Para os geocentristas Júpiter se movia em torno da Terra. Para os heliocentristas Júpiter se movia em torno do Sol . . . Mesmo se movimentando Júpiter carregava em torno de si quatro luas. O mesmo não podia acontecer com a Terra e a nossa Lua?!

E- Hoje sabemos que o Universo tem um numero de estrelas incomparavelmente maior do que se pensava na sua época . . .

G- Eu já suspeitava disso. Em fevereiro de 1610 observei campos estelares e vi muito mais estrelas do que era possível ver a olho nu. Imaginei que com um telescópio melhor poderia ver ainda mais.

E- E quando foi que você descobriu que Vênus apresenta fases igual à nossa Lua?

G- Ah! . . . Essa foi uma outra descoberta importante. Mas isso foi no final de 1610, de outubro a dezembro, vários meses depois que publiquei o Sidereus Nuncius.

Observei Vênus por várias semanas e notei não apenas que ele apresentava fases semelhantes à nossa Lua, como também que o tamanho que ele se apresentava ao meu telescópio dependia dessas fases.

Quando Vênus estava na fase de cheia, ele se apresentava menor, indicando que ele estava mais distante. Quando estava na fase de quarto crescente ou quarto minguante se apresentava maior. Quando estava próximo à fase de nova ele se apresentava ainda maior, indicando uma aproximação ainda maior com o nosso planeta.

Essa descoberta foi uma evidência clara que Vênus se move em torno do Sol com órbita de raio menor que o raio da órbita de nosso planeta.

E- Essas suas descobertas, com exceção das fases de Vênus, você publicou em março de 1610, no Sidereus Nuncius (que em português quer dizer Mensageiro das Estrelas).

G- Isso mesmo. O que descobri até fevereiro de 1610, publiquei no Sidereus Nuncius. Tive pressa em publicar essas descobertas. Alguém mais no mundo também poderia ter construído ou estar construindo um telescópio tão bom ou mesmo melhor que o meu. Eu sabia da importância dessas descobertas e queria o mérito de ser reconhecido como o descobridor.

E- Galileo, você é uma das figuras mais ilustres de toda a historia da humanidade. Mas você tinha que dedicar o Sidereus Nuncius ao Grão Duque Cosimo de Médicis? Pior que isso, você tinha que que dar o nome de Estrelas dos Médicis às luas de Júpiter que você descobriu?

G- É de fato exagerei . . . Eu queria melhorar de vida . . . Ter mais tranqüilidade para desenvolver meus estudos . . . Foi a forma que encontrei pra conseguir o cargo de filósofo e matemático particular daquele nobre . . .

FIM

 


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