O ECLIPSE DE 21 DE JUNHO

 

Prof. Renato Las Casas (30/04/01)

 



      Imagine uma melancia exposta à luz do Sol. Imagine que você passe uma laranja entre a melancia e o Sol. A sombra da laranja vai cruzar a parte da superfície da melancia que é iluminada pelo Sol, de uma borda à outra.

      Troque a melancia pela Terra e a laranja pela Lua. Populações que se encontram por onde a sombra da Lua passa, vão vendo um eclipse do Sol.

 


 

      A sombra da Lua sobre a superfície da Terra tem a forma de um disco. De qualquer ponto desse disco não se pode ver nem "um pedacinho do Sol". Esse disco de sombra fica no centro de outro de penumbra. A partir desse disco de penumbra, pode-se ver apenas parte do Sol; quanto mais perto se está do disco de sombra, maior a ocultação do Sol vista.

      No eclipse de 21 de junho, o disco de sombra não passará pelo território brasileiro; apenas parte do disco de penumbra passará. Veremos portanto um Eclipse Parcial do Sol. Em Belo Horizonte a ocultação do Sol que veremos chegará a 65%.

 


 

      A Terra, em seu movimento de rotação, gira de oeste para leste. A Lua, em seu movimento de translação em torno da Terra, também gira de oeste para leste. Devido a esses movimentos conjugados, a sombra da Lua também atravessa a superfície da Terra (parte iluminada pelo Sol) de oeste para leste, com uma velocidade aproximada de 2.000 Km/h. O primeiro lugar a ver um determinado eclipse o vê ao nascer do Sol e o último lugar o vê no por do Sol.

      Em Belo Horizonte, o eclipse de 21 de junho próximo começará às 7:17 h e terminará às 9:42 h. O máximo de ocultação (65%) ocorrerá às 8:30 h.

 


 

 

ALGUNS DADOS HISTÓRICOS SOBRE ECLIPSES SOLARES

2137 aC - Crônicas Chinesas

      Os astrônomos reais Hi e Ho foram condenados à degolação pelo imperador Tchung Kang, pois esses ao invés de preverem o fenômeno e se colocarem a postos para soarem os tambores e lançarem flechas contra o Sol eclipsado, se encontravam embriagados durante o fenômeno.

 

763 aC - Amós VIII, 9

 

      Possivelmente com base nos astrônomos babilônicos, o profeta Amós colocou na boca de Deus a predição desse eclipse: "Eu farei o Sol desaparecer e escurecerei a Terra no meio do dia claro". Esse eclipse foi observado em Ninive e Samaria.

585 aC - Heródoto (484-430 aC)

      Segundo o historiador, Tales de Mileto (640-546aC) previu esse eclipse que ocorreu durante uma batalha entre lidios e medas, que já guerreavam a 5 anos. Com o eclipse a guerra terminou.

      A história do Islam está repleta de relatos de eclipses; onde merecem destaque aqueles ligados ao nascimento de Maomé em 569; à morte trágica de seu filho Ibrahim em 22 de janeiro de 632 e um terceiro que ocorreu em 661, 39 anos após a morte de Maomé.

      A reforma no calendário ordenada pelo Papa Gregório XIII em 1583, se utilizou largamente de relatos de eclipses, combinados com os cálculos das datas desses.

13 de novembro de 1640 - Primeira observação científica de um eclipse nas Américas

      Feita por Jorge Marcgrave, que fazia parte da missão científica trazida para o Brasil por Maurício de Nassau. Ilha de Antônio Vaz, Recife, PE. (A primeira observação científica em colônia britânica, nas Américas, só viria a ocorrer em 24 de junho de 1778).

 

      Em meados do século passado, com o advento da espectroscopia, é inaugurada a era da Astrofísica. Estruturas da atmosfera do Sol que podem ser vistas durante a totalidade dos eclipses, tais como as protuberâncias avermelhadas e as estruturas magnetizadas da coroa, passaram a dividir as atenções dos astrônomos com as marcações dos instantes de contacto entre os discos do Sol e da Lua. Quase ao mesmo tempo desenvolveu-se a aplicação da técnica fotográfica na Astronomia. No eclipse de 1842 foi tentado sem sucesso o uso (bem primitivo) do papel iodado. Um daguerreótipo registrou com sucesso o eclipse de 1851.

7 de setembro de 1858 - Expedição do Imperial Observatório do Rio de Janeiro a Paranaguá, PR.

      Participou dessa expedição Emmanuel Liais (recém chegado do Observatório de Paris, a convite de D. Pedro II). Pela primeira vez em um eclipse foi usada a técnica fotográfica para fins astrométricos. Liais constatou que a coroa fazia parte do Sol e que a sua luz era polarizada.

25 de abril de 1865 - Nova expedição do Imperial Observatório do Rio de Janeiro (Camboriú, SC)

      Essa expedição fracassou, devido ao mau tempo.

18 de agosto de 1868

      Confirmada a presença de hidrogênio nas protuberâncias do Sol em eclipse observado na Índia.

 

16 de abril de 1893

      Excelentes espectros foram obtidos por Schackleton, do Observatório de Lick (Califórnia) em algum ponto no sul do Brasil. A equipe principal desse Observatório fazia observações no Chile.

29 de maio de 1919 - Confirmado o "EFEITO EINSTEIN", Sobral, CE.

      O mais importante resultado científico obtido a partir de um eclipse nesse século. Os dados que permitiram a confirmação desse efeito foram obtidos por uma expedição do Observatório de Greenwich. Einstein previu que os fótons, por terem massa, teriam suas trajetórias encurvadas ao passarem próximos de grandes concentrações de matéria. Assim, a direção de uma estrela vista próxima ao Sol durante um eclipse, deveria diferir de sua direção normal. O desvio verificado foi de apenas 1,75", porém o suficiente para confirmar a teoria de Einstein.

 

20 de maio de 1947

      Astrônomos norte americanos do Observatório de Yerkes, se instalaram em Bocaiuva, MG. Pretendiam observar o "efeito Einstein" e para isso trouxeram grande número de equipamentos. Chegaram a Bocaiuva pela estrada de ferro, com máquinas pesadas, cerca de dois anos antes do fenômeno. Construiram um aeroporto, ainda em funcionamento, para a chegada do equipamento científico. A presença desses pesquisadores até hoje é comentada na cidade. Não havia porém um bom número de estrelas brilhantes perto do disco solar, motivo pelo qual os dados colhidos por essa expedição não foram muito úteis.

11 de julho de 1991

      A cidade do México fez parte da região de totalidade desse eclipse, onde pelo menos 20 milhões de pessoas o observaram (número recorde). Além disso, a duração de sua totalidade, 7,1 minutos, só será repetida no eclipse de 2132.

 

 

COMO OBSERVAR

UM ECLIPSE SOLAR

 

      O seu principal cuidado deve ser com a radiação ultra violeta do Sol. Uma observação inadequada poderá permitir que o ultravioleta da coroa solar chegue à sua retina. A radiação ultravioleta em excesso não doerá, mas uma vez recebida poderá levá-lo em alguns anos à cegueira.

 

O Uso de Filtros

 

      Filtros podem cortar a luz visível sem cortar a ultravioleta. Por cortar a luz visível, sua pupila se dilatará, deixando sua retina exposta à ultravioleta. Muito cuidado portanto na escolha de um filtro de observação. A saúde de seus olhos dependerá dessa escolha.

       NÃO USE:plásticos coloridos; vidros esfumaçados; filme colorido velado; filme preto e branco cromogênico; filtros fotográficos de densidade neutra (qualquer densidade); qualquer combinação de filtros fotográficos, inclusive polaróides cruzados; óculos escuros; filtros comuns de ocular; qualquer filtro que não se saiba se é realmente seguro.

       USE:vidro de Soldador (número 14 ou maior); filme preto e branco comum (à base de prata) exposto à luz e revelado (sobreponha dois ou três desses filmes, fazendo assim um "sanduíche"); filtros com filmes metálicos, especiais para observação do Sol.

        Não observe mais que alguns segundos seguidos.

Observação por reflexão

      Alguns dos métodos mais seguros de se observar o Sol utilizam a sua reflexão.

      Pela imagem do Sol refletida em uma bacia com água, podemos acompanhar a passagem do disco lunar sobre o disco solar, sem qualquer possibilidade de danificarmos nossa visão. Esse método apresenta o inconveniente da necessidade da superfície da água ficar estática.

      Um ótimo método consiste na projeção "pin-hole", onde a imagem do Sol é formada em um anteparo após sua luz passar por um minúsculo orifício. Esse orifício pode ser feito em um simples cartão (quanto maior o cartão melhor, pois aumentará o contraste da imagem) com a imagem projetada na parede ou no chão, por exemplo. A utilização de uma câmara "pin-hole" permite excelentes imagens do fenômeno.

 


      Um método bom e prático: a utilização de um pequeno espelho (do tamanho de uma moeda de dez centavos). Caso você não tenha um, faça uma máscara para um grande, deixando apenas uma pequena parte de sua superfície à mostra. Utilize esse pequeno espelho para refletir a luz do Sol em algum anteparo, formando aí a sua imagem.

O Uso de Instrumentos Ópticos

      Um Telescópio, Luneta ou Binóculo, não é o instrumento mais apropriado para quem quer apenas acompanhar um eclipse de uma forma geral. É muito importante lembrar que o dispositivo óptico aumenta muitíssimo a concentração de luz no foco; aumentando assim, também muitíssimo, a possibilidade de acidentes com suas vistas.

      Filtros com filmes metálicos, especiais para a observação do Sol, devem ser usados na objetiva, nunca na ocular. Máscaras na entrada do telescópio podem ser um ótimo complemento para esses filtros.

      Os instrumentos ópticos mais populares vêm acompanhados com filtros para oculares. O uso desses filtros são completamente desaconselhados para observação do Sol.

 

      Objetivas grandes apresentam os inconvenientes de perigo de superaquecimento interno na região focal e imagens mais turbulentas devido a correntes térmicas na atmosfera e no próprio tubo do telescópio. Tamanho ideal: entre 150 e 200 mm.

 

      Caso você tenha um equipamento óptico e não tenha um filtro especial para observação do Sol (em geral são muito caros), você pode fazer sua observação por projeção. Nesse caso, siga os diagramas abaixo.

 


 

      Em qualquer caso de observação com instrumento óptico, as oculares aconselhadas são aquelas em que as lentes não se tocam, como as Plossol ou Huygens. Dê preferência às mais baratas.

 

 


Leia mais sobre:

 

Eclipses                              Observação