O Eclipse de outubro de 2004

 
Prof. Renato Las Casas (24/09/04)

 

                   Na noite do dia 27 para o dia 28 de outubro, acontecerá mais um eclipse total da Lua, visível de nosso país.

                   Nesse início de século, nós, brasileiros, estamos sendo privilegiados com a oportunidade de observação de um número de eclipses lunares bem superior à média. Esse será o quarto eclipse total da Lua que veremos de nosso país em um período inferior a um ano e meio (maio/03 a outubro/04). Em média, de uma mesma localidade, observa-se um eclipse total da Lua a cada três anos.

                   Na tabela abaixo apresentamos os eclipses lunares da década, com as suas respectivas regiões de visibilidade.

ECLIPSES LUNARES - 2001 a 2010

DATA

TIPO

DURAÇÃO

REGIÃO de VISIBILIDADE

09/jan/01Total02h17m
00h02m
3 Américas, Europa, África, Ásia 
05/jun/01Parcial01h40mÁfrica, Ásia, Australia, Pacífico
30/dez/01Penumbral.Ásia, Australia, Pacífico, 3 Américas
26/mai/02Penumbral.Ásia, Australia, Pacífico, 3 Américas
24/jun/02Penumbral.América do Sul, Europa, África, Ásia, Australia 
20/nov/02Penumbral.3 Américas, Europa, África e Ásia
16/mai/03Total02h15m
23h53m
Pacífico, 3 Américas, Europa e Ásia
09/nov/03Total02h32m
23h24m
3 Américas, Europa, África, Ásia
04/mai/04Total02h24m
00h16m
América do Sul, Europa, África, Ásia, Australia
28/out/04Total02h39m
00h21m
Pacífico, 3 Américas, Europa, África, Ásia
24/abr/05Penumbral.Ásia, Australia, Pacífico, 3 Américas
17/out/05Parcial23h58mÁsia, Australia, Pacífico, América do Norte
14/mar/06Penumbral.3 Américas, Europa, África, Ásia
07/set/06Parcial00h33mEuropa, África, Ásia, Australia
03/mar/07Total02h42m
00h14m
3 Américas, Europa, África, Ásia
28/ago/07Total02h33m
00h31m
Ásia, Australia, Pacífico, 3 Américas
21/fev/08Total02h26m
23h51m
Pacífico, 3 Américas, Europa, África
16/ago/08Parcial02h09mAmerica do Sul, Europa, África,Ásia, Australia
09/fev/09Penumbral.Europa, Ásia, Australia, Pacífico
07/jul/09Penumbral.Australia, Pacífico, 3 Américas
06/ago/09Penumbral.3 Américas, Europa, África, Ásia
31/dez/09Parcial00h02mEuropa, África, Ásia, Australia
26/jun/10Parcial01h44mÁsia, Australia, Pacífico, 3 Américas
21/dez/10Total02h29m
00h13m
Ásia, Australia, Pacífico, 3 Américas, Europa

O tempo apresentado na coluna DURAÇÃO corresponde à duração da fase de parcialidade. Nos eclipses totais apresentamos também a duração da fase de totalidade, em negrito.
 

O QUE SÃO AS FASES DE UM ECLIPSE LUNAR?

                    A Terra está sempre metade iluminada pelo Sol (a metade dia).
                    Prolongando-se pelo espaço, a partir da metade noite da Terra, temos uma região cônica de sombra. Se você estivesse em uma nave espacial, em algum ponto dessa região, você não veria o Sol, o que quer dizer que nenhuma luz do Sol chegaria diretamente a você.
                    Em torno dessa região de sombra temos uma região de penumbra. Se na mesma nave espacial você estivesse em algum ponto dessa região, você veria parte do Sol (um pedaço do disco solar estaria oculto pela Terra); o que quer dizer que apenas parte da luz do Sol chegaria a você.
                     Quando a Lua passa por essas regiões, temos um Eclipse Lunar.
                     Quando a Lua está parcialmente ou totalmente na região de penumbra, dizemos que temos um ECLIPSE PENUMBRAL; quando está parcialmente na região de sombra (daqui da Terra vemos o disco lunar "faltando um pedaço") dizemos que temos um ECLIPSE PARCIAL e quando está totalmente imersa na região de sombra, dizemos que temos um ECLIPSE TOTAL.

                    Durante um Eclipse Penumbral, nenhuma região do disco lunar deixa de receber luz diretamente do Sol, porém recebe em "quantidade" menor que o normal. Durante um Eclipse Penumbral, vemos todo o disco lunar, porém com um brilho menor que o normal.
                   Um Eclipse Penumbral muitas vezes passa desapercebido pelo observador menos experiente. Para o leigo um eclipse só começa quando começa a fase parcial.
                    Para haver um eclipse parcial, tem de haver duas fases penumbrais. Para haver um eclipse total, tem de haver duas fases penumbrais e duas parciais.

 

O ECLIPSE DA NOITE DE 27-28 DE OUTUBRO

(Horário de  Brasília)

21:06h

Início Penumbral

22:14h

Início Parcial

23:23h

Início Total

00:45h

Fim Total

01:54h

Fim Parcial

03:54h

Fim Penumbral

 

REGIÃO DE VISIBILIDADE 

                   Em um eclipse da Lua (ao contrário de um eclipse do Sol) todas as regiões do planeta que estiverem vendo a Lua estarão vendo o mesmo eclipse. (Note que nesse tipo de eclipse a Lua faz o papel de uma "tela" onde é projetada a sombra da Terra).

                      No mapa acima, localidades situadas na região mais clara verão todo o eclipse, do início da primeira fase penumbral ao fim da última fase penumbral. 
                  Localidades situadas na região mais escura não verão o eclipse.
                  Localidades situadas ao longo das faixas intermediárias verão apenas parte do eclipse. A Lua nascerá quando o eclipse já estiver começado para as faixas a oeste da região de visibilidade total e vai se por antes do eclipse acabar para as faixas a leste.

                  Lembre-se que enquanto o eclipse vai acontecendo, nosso planeta vai girando de oeste para leste (da esquerda para a direita na figura).

 

DÚVIDAS QUE SURGEM . . .

      Porque não ocorre um Eclipse Lunar toda Lua Cheia e um Eclipse Solar toda Lua Nova?
      - Porque os planos das órbitas da Lua em torno da Terra e da Terra em torno da Lua não são coincidentes. Apenas quando a reta interseção entre esses dois planos passar pelo Sol (o que só acontece duas vezes por ano) podemos ter um eclipse.

       Porque vemos a Lua durante a fase de totalidade de um eclipse? E ainda por cima avermelhada?

      - Vemos a Lua, porque a atmosfera terrestre funciona como uma lente convergente, convergindo os raios de luz do Sol que conseguem lhe atravessar para a região por detrás da Terra. Vemos a Lua avermelhada, porque a atmosfera terrestre também funciona como um filtro; deixando passar a componente vermelha da luz solar em direção à Lua e espalhando a componente azul. 

 CONHEÇA O RELÊVO LUNAR

                  Com o auxílio de um telescópio ou mesmo de um bom binóculo poderemos acompanhar a passagem da sombra pelas crateras salientadas na fotografia abaixo e verificarmos a exatidão dos horários previstos para essas passagens, segundo a tabela que se segue. Essa pode ser uma oportunidade bastante prazerosa para se começar a conhecer o relêvo lunar.

 

                      As crateras salientadas acima e listadas abaixo estão numeradas de acordo com a ordem de entrada na região de sombra. Note que essa mesma ordem não se repete na saída da sombra.

 

PREVISÃO DO AVANÇO DA SOMBRA DA TERRA SOBRE ALGUMAS CRATERAS LUNARES 27_28/OUTUBRO/2004

(Horário de  Brasília)

Entrada

Cratera

Saída

Cratera

22:16h

01-Grimaldi

00:52h

04-Aristarchus

22:20h

02-Billy

00:54h

01-Grimaldi

22:27h

03-Kepler

00:58h

10-Plato

22:28h

04-Aristarchus

00:59h

03-Kepler

22:35h

05-Copernicus

01:01h

02-Billy

22:38h

06-Tycho

01:03h

07-Pytheas

22:38h

07-Pytheas

01:04h

08-Timocharis

22:44h

08-Timocharis

01:06h

05-Copernicus

22:52h

09-Manilius

01:07h

14-Aristoteles

22:55h

10-Plato

01:09h

13-Eudoxus

22:56h

11-Menelaus

01:18h

09-Manilius

23:00h

12-Plinius

01:21h

11-Menelaus

23:03h

13-Eudoxus

01:23h

06-Tycho

23:04h

14-Aristoteles

01:25h

12-Plinius

23:06h

15-Goclenius

01:43h

15-Goclenius

23:13h

16-Langrenus

01:48h

16-Langrenus

 


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